Como foi nossa experiência Viajando de Carona até o Brasil!

Como foi nossa experiência Viajando de Carona até o Brasil!

A experiência mais diferente que já tivemos nesses 8 meses de viagem, eu falo diferente porque nós estávamos esperando encontrar pessoas, paisagens, culturas, comidas e sabíamos que viveríamos em uma kombi, mas jamais passou por nossa cabeça viajar de carona, exige muito de nós em todos os sentidos, paciência, determinação, vencer o cansaço, as noites inseguras e mal dormidas, confiar nossa vida as pessoas, caminhar muitos km levando nossas coisas, saiba como foi nossa viagem a Dedo (Carona).

Início parabenizando os nossos amigos mochileiros, que coragem, que força de vontade em viajar assim. Não tínhamos dúvida que era um pouco cruel de tão cansativo, mas confesso que não imaginamos tanto. Sem contar as horas em pé segurando uma folha embaixo de um sol torrando, não é fácil. As dificuldades que encontramos no caminho, os caminhões e carros que não param. Nós estávamos acostumados com o conforto da nossa Kombi, por mais que muitos pensem que não, nós podemos estacionar em muitos lugares pra dormir, podemos dormir a hora que for, comer nossa comida sem gastar muito, ir a onde queremos. Nós perdemos nosso chão,  quando você está de mochila não tem nada, se acha que depende das pessoas vivendo em uma Kombi, a pé você depende literalmente delas. A não ser que tenha uma graninha e vá de Ônibus.

Aproveitamos que era nossa primeira vez e questionamos muito as pessoas que pararam para nós. Todos tinham medo, não muitas experiências ruins, mas devido à algo que já havia passado, seguiam dando carona mais ressabiados. Infelizmente sempre há uns mal elementos que acabam fazendo besteira, viajantes de má Fe e que dificultam muito a vida dos viajantes que são do bem e só querem uma carona.

Muitos não param por insegurança!

Dia 1 – 24/08/2017 quinta-feira

Vamos dividir nossa vinda de carona até o Brasil, sem esquecer que ainda temos a volta.

Já vínhamos matutando essa ideia desde que passamos por Santiago/Chile. Foi bem proposital ir a Salta na Argentina. Aí buscamos uma pessoa que cuidasse carinhosamente da nossa menina (Kombi). E foi aí que apareceu o Rafael na nossa vida, um dia na feira vendendo, conhecemos ele e logo ofereceu sua casa para nós.

Nos planejamentos estava que levaríamos uma semana para chegar até o Brasil, duas em casa e mais uma para voltar. Vamos manter o cronograma, o legal é que acabamos ganhando uns dias, porque levamos 4 dias para chegar.

Na mochila tinha algumas coisas, bem poucas mesmo, mas que pareciam um montão de tão pesada que ela se tornou ao longo do caminho. Mais o Zed em sua caixa de transporte e garanto que ele tem 3,5kg mais se tornou uns 10kg nesses últimos dias. Kkkkk uma outra mochila só que pequena e com menos coisas, algumas pessoais e eletrônicos.

Saímos as 7h da manhã da casa do Rafael, ele mesmo nos deu uma carona até um posto de gasolina na entrada de Salta. Dai em diante era com a gente. Fizemos um cartaz que dizia: General Guemes, uma cidade onde passam os caminhoneiros. Levamos uma hora mais ou menos para conseguir nossa primeira carona. Um senhor simpático parou, disse que estava indo a essa cidade é que nos levaria. Ele acabou nós deixando em Torzalito que fica há 25km de Salta, melhor ainda para nós.

Depois fizemos outro cartaz dizendo Joaquim Gonzales e novamente em uma hora parou outro senhor. Parecia que a sorte estava com a gente no primeiro dia, nunca tínhamos feito carona e nem pensado na ideia. Esse percurso foi mais longo, 200km. Ele nos deixou em um posto, almoçamos e as 13h30 em um sol super quente, estávamos torrando literalmente, mas ficamos firmes e fortes até as 18h30. Quando um caminhoneiro que havia chegado mais cedo e nos viu a tarde todo ali, resolveu nos ajudar. Era nosso primeiro caminhão, kkkk. Que simpático, que energia que nos passou. Conversamos por horas, disse ainda que era muito difícil parar, mas que queria nós ajudar. Rodamos mais 400km e aí veio nossa primeira noite de mochila. Que noite heim, primeiro porque não temos barraca, então procuramos uma estação de serviço, percebemos que todos os caminhões dormiam por aí, decidimos que o chão seria nossa cama. Deitamos aí mesmo, sem pensar muito, super cansados. Era uma cidade bem pequena, como íamos acordar cedo para seguir, não queríamos gastar em uma estádia.

Dia 2 – 25/08/2017 sexta-feira

Quando por volta das 2h da manhã eu acordo assustada com um barulho bem alto de uma garrafa quebrando, dois bêbados começaram a brigar, tacar pedras um no outro. Levantamos correndo e nos afastamos do posto. Veio a polícia e todos sumiram. A pior noite de nossas vidas estava só começando. Deitamos em outro lado, um pouco mais longe do posto e mais perto dos caminhões. Logo veio apareceram três garotos caminhando na rua, não demos muita bola até que um veio em nossa direção. Falou de viagens e caronas, mas não era um assunto muito bom às 4h da manhã. Mais um pouco assustados, preferimos voltar para o posto já que os brigões haviam ido. Deitamos novamente onde estávamos e umas 4h40 um dos brigões voltou mais alterado que antes, disse que ia matar o outro e sei lá mais o que. Foi aí que decidimos caminhar 1,5km em uma enorme escuridão até a polícia. Acreditávamos que aí seria mais seguro, por sorte foi. Deitamos em frente à polícia até umas 6h, quando eles começaram a parar os carros. Questionaram a gente para onde íamos e de onde erramos.

Pararam um carro com dois homens, fizeram muitas perguntas para eles, uma delas era para onde estavam indo, revistaram por cima o carro e perguntaram se podiam nos ajudar com uma carona. E eles prontamente aceitaram.

Para nossa sorte eles iriam a Posadas, uma de nossas paradas, 700km mais percorridos. Chegamos por volta das 13h30. Estávamos exaustos da noite anterior, resolvemos tomar um banho e como a cidade não tinha onde pedir carona por ser pequena e sua BR muito longe. Fomos caminhando 3km até a rodoviária, quilômetros intermináveis devido à quantidade de peso e cansaço físico. Decidimos que compraríamos uma passagem de ônibus até Puerto Iguazú que esta a 315km dali. Assim poderíamos dormir no ônibus e descansar um pouco. Foram R$60,00 de passagem para cada.

Dia 3 – 26/08/2017 Sábado

Chegamos em Puerto Iguazú as 24h, para economizar mais uma hospedagem, ficamos na rodoviária mesmo toda a noite, nosso próximo ônibus até Foz do Iguaçu custava R$5,00 e saia as 6h30 da manhã.

O que a gente não prévia e que o guarda não queria ninguém a noite toda na rodoviária, falamos para ele que fomos buscar um hostel, mas não aceitaram nosso cartão e era verdade. Que não tínhamos para onde ir e que de manhã saíamos com destino ao Brasil. Ele relutou bastante e disse que se não saíssemos ia chamar a polícia. Bom, naquela situação, sem ter para onde ir. Falamos tranquilamente com ele e deixamos claro que não íamos embora, que ele podia chamar a polícia. Rodoviária é um lugar público, não estávamos fazendo nada a não ser esperando nosso ônibus. Ele só quis ameaçar e não chamou a polícia. Ficamos aí a noite toda e de manhã seguimos rumo a Foz do Iguaçu. Cansados mais felizes cruzamos a fronteira do nosso país, BRASIL nós estávamos com saudades de você, de falar português, de comer um pastel e nos sentir muito em casa.

O dia foi longo por Foz de Iguaçu, tentamos carona a manhã inteira até meio dia e nada. Falaram para ter cuidado com os caros que parassem porque às vezes só queriam dar carona porque levavam drogas.

Pensamos muito sobre isso e resolvemos abortar a carona por Foz, ir até a rodoviária e comprar uma passagem até Itajaí, pagamos R$109,00, acreditam? Nem nós. Kkk De Itajaí atravessamos a balsa até navegantes, fomos ao terminal e pegamos um ônibus até Penha uma praia onde a família do Diego estaria no domingo. Chegamos às 7h30 da manhã. Tínhamos apenas duas cúmplices nessa missão, minha mãe Márcia e a Kátia nossa Irmã. Minha mãe estava bem por dentro de tudo, já a Kátia demos uma enrolada. kkkkk.

27/08/2017 Domingo

Eles nem acreditaram em ver a gente, foi tão legal surpreender as pessoas nesses dias. Valeu cada perrengue na estrada.

A gente tem um cachorro super especial, esse Zed faz que nos apaixonamos por ele cada dia mais, ele se adapta tão bem a tudo e colabora muito. Achamos que seria muito difícil viajar com cachorro. Não por ele, mas que as pessoas não parariam para dar carona por termos um cachorro. Ou que no ônibus fossem reclamar também. Mais ficamos bem felizes que não tivemos problemas algum. Viemos com a caixa de transporte dele, foi muito tranquilo. Ele veio dormindo, saímos nas paradas para fazer um xixi ou coco, ele comeu e tomou água com o ônibus em movimento e por sorte tudo ok com ele.

Agora temos a volta até a Argentina em alguns dias. Vem mais experiências por ai.

 

Abraços a todos!

Roana, Diego e Zed.


9 thoughts on “Como foi nossa experiência Viajando de Carona até o Brasil!

  1. Que aventura !!!
    Não sei se digo que sao CORAJOSOS ou IRRESPONSÁVEIS, mas com certeza tudo valeu como grande experiência. Fiquei tenso lendo , me coloquei no lugar de voces. Fico muito feliz que tudo deu certo, e que estão com seus familiares. Fico acompanhando e torcendo muito por voces 3.

    1. Não voltamos de Kombi porque a gasolina para 2.500Km não cabia no nosso bolso, então deixamos ela na Argentina, viemos de carona para não gastar muito e voltamos da mesma maneira. Assim não gastamos com gasolina e como o próximo destino é Bolívia no Norte da Argentina acaba sendo o mais perto. Abraços

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